segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Oratório do Senhor da Agonia


É na memória paroquial que se encontra a primeira referência ao altar do “Senhor na sua Agonia”. Mas não é de crer que a cruz e as imagens fossem as de hoje: a imagem do crucificado quase em tamanho natural, mais São João Evangelista e Santa Maria Madalena. Devem antes ter sido aquisição posterior, em todo o caso, antes da talha que nele se encontra.
O que nos leva a supor isso é a própria talha: neste oratório não há colunas de estilo nacional ou joanino, tudo é novo, rocaille. A iconografia deste oratório implicou um investimento vultuoso.
Ao tempo do arrolamento republicano, como hoje, já se acumulavam ali os dois grupos escultóricos: o original, do Senhor da Agonia, e o grupo mais recente, do tempo do Pe. João Silva, que representa a aparição do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque. Estas duas novas imagens, em tamanho natural, devem ser a mais antiga representação desta aparição em larga redondeza, uns 40 anos mais antiga que a da basílica poveira dedicada a esta devoção. É uma pena que este grupo não tenha lugar próprio, condigno, que deixasse livre todo o oratório para a cena do Calvário.

Monumental oratório do Senhor da Agonia, que hoje acolhe também as imagens do Sagrado Coração de Jesus e de Santa Margarida Maria Alacoque.

Como o retábulo das Almas, que lhe fica em frente, este possui sanefa, sem dúvida a capitulada em 1760.

Pormenor do oratório do Senhor da Agonia onde se podem admirar a decoração rocaille e a coluna do mesmo estilo.

Oratório da Senhora das Dores

Este oratório deve ser recente: mesmo o arrolamento republicano ainda não o conhece.
A talha reduz-se à moldura que está por trás da imagem, mais a espécie de estrado, muito singelo, em que esta assenta. Foi tudo concebido para condizer com o rocaille[1] predominantemente na Igreja.

Nicho de Nossa Senhora das Dores, ladeada por duas imagens que aparentam ser muito antigas.

Com a chegada da amplificação sonora, os púlpitos deixaram de se justificar. Antes, eram imprescindíveis para o pregador se fazer ouvir de toda a assembleia dos fiéis[2].
Na Igreja de Bagunte, o púlpito continua como uma bela peça de mobiliário a recordar um longuíssimo passado. É com certeza o mencionado em 1760.

Púlpito da Igreja de Bagunte.

Para o encosto deste banco que se encontra ao lado do altar aproveitou-se parte da sanefa do arco cruzeiro (que tinha sido alargado).

[1] A devoção à Senhora das Dores, como ao Senhor da Agonia, é um mergulho fundo no cerne da mensagem cristã, centrada na Cruz de Cristo. Durante a primeira metade do século XX, na Póvoa de Varzim, o Pe. José Cascão deu grande contributo para popularizar a devoção à Senhora das Dores. O oratório da Igreja de Bagunte deve ter alguma relação com a pregação deste culto sacerdote.
[2] Em tempos recuados, nas universidades também se ensinava de um púlpito.

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